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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pra que tanta pose, doutor?




Perguntaram outro dia a um nobre deputado federal: Excelência o senhor não teria outra atividade mais útil ao povo, que justificasse de forma mais efetiva, os salários que recebe, do que participar das redes sociais na internet?
Do alto de toda aquela sua sapiência, segurança e sensação que lhe proporcionava o fato de ter recebido mais de 100 mil votos, ele pensou, pensou e... nem tchum deu ao indagador.
O eleitor ficou a matutar se o nobilíssimo legislador não teria percebido a atenção a ele dirigida. Imaginou também que talvez, por ser muito pobre e insignificante, não tivesse merecido qualquer resposta vinda de tão insigne, brilhante e monárquica autoridade.
Quem sabe até a justificativa para o tal “gelo”, fosse a conduta divergente daquele interrogador que, recusando-se a concordar com as insanidades cometidas nas licitações públicas, praticadas por integrantes do partido do senhor deputado, contasse aos quatro ventos, os crimes ouvidos aos sussurros, nos corredores da prefeitura.
Acreditou-se que uma coisa era bem certa. O senhor deputado só respondia a quem achava ser digno de ouvir as suas sábias palavras, buriladas pela cultura adquirida durante a vintena de anos, em que esquentou, com seu traseiro largo, os cargos públicos eletivos.
Alguns teclados digitavam o fato de que aquela excelência não dava mão a pretos, não falava com pobre e nem carregava embrulho. Pra que tanta pose doutor? Pra que tanto orgulho?
Pontes, fábricas de automóveis, recapeamento de ruas já calçadas, são menos eficazes, para o fortalecimento da população carente, da periferia da sua cidade, do que o investimento no ensino público, na contratação de médicos, para os postos de saúde e na adequação da alimentação escolar.
Mas o que traz votos é a aparência das pontes, das ruas asfaltadas, da publicidade que se faz, das fábricas de carros. E o que o senhor quer, deseja mesmo, é a reeleição, muito mais do que o bem estar do seu povo.
Não é mesmo senhor deputado?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

A Arrogância dos Saciados



                                      A insensatez de algumas pessoas chega ao absurdo de fazê-las invadir o quintal dos demais vizinhos e, nas trevas da noite, mexerem onde não é devido.

                    Geralmente quando conhecem o problema e seus causadores, as ditas “autoridades” da cidadezinha, por conveniência politica, podem vendar os olhos voluntariamente. 

                    Se contra o prefeito pesam as provas dos processos judiciais e CPIs, por envolvimento em descalabros públicos, então, meu amigo, a cegueira e surdez serão providenciais.

                    Afinal quem deseja abandonar o conforto, a saúde, os prazeres e a saciedade geral, proporcionados pelos aportes das verbas fáceis, associadas aos cargos públicos?

                    Se estivéssemos numa região de conflito aberto e armado, as casas dos opositores seriam facilmente arrasadas por explosões oficiais.

                    Mas numa cidade onde tudo acontece em surdina, “por debaixo dos panos”, a reforma oportuna do imóvel, vizinho do adversário político, pode facilitar a danificação de um encanamento que levaria ao solapamento do terreno, e o consequente desabamento da casa do indesejável.
        
                    A opinião dominante, em certos lugares, é a própria cara dos “dirigentes” do trecho.
 
                    Já ouvi dizerem que pra mover um animal, por exemplo, um elefante, um bagre cabeçudo, ou um burro, você o faria usando a dor ou o “amor”. Ou seja, você cutuca o bicho incomodando-o ao extremo, inclusive quebrando-lhe a casa, ou acena-lhe com o feno.

                    E tudo isso em nome das santas verbas públicas que garantem aos ocupantes do poder, a arrogância dos saciados e a ironia dos injustos.

8/6/2011.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Questão de Saúde Pública


               Tenho dito que num bairro periférico sempre há os loucos mais atrevidos. Desse tipo que atira tijolos sabe-se que o desconforto no próprio lar é um fator enlouquecedor de estresse. A imundície nas dependências da casa, o aglomerado de muita gente e a crença nas seitas satânicas, torna a vida, especialmente das crianças, bastante sofrida.
                Quando o pai e a mãe já não conseguem mais o controle do filho problemático e da nora analfabeta, percebe-se que a atividade econômica do patriarca, encontra-se numa encruzilhada, prestes a cerrar as portas.
                O sustento do tal núcleo familiar problemático, que gera desconforto aos vizinhos, dependerá então, da pensão alimentícia que um dos filhos da concubina percebe, por força da decisão judicial. A própria comunidade, alertada para os transtornos emergidos naquele centro, e distribuídos ao bairro todo, se precaverá ao prestar auxílio material até que o comportamento se coadune com as normas da boa educação.
                Uma enorme discussão envolvendo o fechamento dos hospitais psiquiátricos ocupou a atenção dos especialistas do setor, durante algum tempo, levando boa parte deles a conclusão de que o simples servir como asilo ou “depósito de loucos”, não seria humanitário e nem mesmo terapêutico.
                Então como proceder nesses casos de comportamento desviante, reivindicativo, hostil, ameaçador e inconformado? Pode uma comunidade sujeitar-se às suscetibilidades do grupamento malfeitor que se escora nas crenças do satanismo?
                Na vizinhança desse modelo de família problemática, a rotatividade das pessoas que alugam as casas, mudam-se e logo depois partem, rescindindo os contratos, é enorme. Considera-se neurotizante, enlouquecedor até, a contiguidade a esse tipo de associação. Poucas famílias conseguem ficar por muito tempo, nas proximidades.
                O poder público pouco se importa com a existência dos conflitos. As possíveis soluções não serviriam como troféus ou conquistas a serem exibidas nas prováveis campanhas eleitorais futuras.  Não renderiam prestígio e muito menos votos.
                Paciência, dizem alguns. É preciso ter paciência com crueldade alheia. O alcoolismo, considerado uma doença relevante, geradora desse tipo de situação, precisa ser tratado. A integridade moral, física e patrimonial das demais pessoas, viventes no entorno, depende da argúcia dos terapeutas públicos.
                Na verdade o problema é um desafio àquelas autoridades sanitárias do município que se preocupariam, de verdade, com o bem estar da população. Antes mesmo da ufania que a metástase dessa infecção, possa causar nas ideologias políticas do momento, a cura poderá trazer consigo a distinção e os méritos reservados aos bons médicos.