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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os Promotores do Bullying


       

                         Não ouso deixar de dizer que o PSDB foi o responsável pelo enlouquecimento de praticamente uma cidade inteira, durante esse período em que esteve no poder aqui em Piracicaba.
                Laborando sobre premissas falsas, esses senhores peessedebistas praticaram erros grosseiríssimos, promovendo o bullying a níveis jamais vistos, invertendo valores e equivocando todo mundo.
                Além disso, ninguém na sã consciência pode negar o absurdo, a infantilidade administrativa, que se cometeu ao transformar, por decreto, o regime celetista de milhares de servidores públicos, em estatutários.
                È impossível deixar de notar a imperícia política desse partido, quando, depois de dois anos sem o depósito do FGTS e as contribuições ao INSS, na conta dos trabalhadores municipais, tenha tudo que voltar ao que era antes. Ou seja: é preciso fazer concurso público para ser efetivado no cargo.
                A deficiência na condução dos negócios públicos também se evidenciou na prefeitura de Campinas. O PSDB promoveu a cassação do prefeito do PDT, possibilitando assim a assunção do adversário petista.  O objetivo – equivocadíssimo, fundado em premissas falsas -, era o de cassar o recém-empossado.
                Entretanto não é só de burradas e estupidez que vive o PSDB. De exploração também. Veja essa questão dos pedágios nas rodovias estaduais. Paga-se muito pelo uso de trajetos curtos e por atendimentos que deixam muito a desejar.
                Enquanto isso as pessoas são mal atendidas nos prontos-socorros e centros de saúde. A vergonha do ensino público estadual e municipal evidencia-se na educação dos jovens que, por não aprenderem nada, se tornam assustadiços, vítimas potenciais das induções criminosas. Esse é o vergonhoso PSDB que ainda manda em Piracicaba.
                 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Conforto



                                               Do jeito que se encontra deteriorado o ensino público no Brasil não se pode duvidar que o bullying seja incentivado por professores e diretores de escola.

                        A mediocridade é tamanha que as diferenças são equilibradas, não pela autoridade que proporciona o conhecimento, mas por agressões à distância.

                        Em outras palavras: o desconforto causado pelo desnível cultural, ao invés de propulsar o aprimoramento profissional, detona as manobras hostis do bullying.

                        É claro que a ineficiência, na transmissão do conhecimento, seja interessantíssimo e fundamental para essas pessoas que vivem das verbas salariais, destinadas a alimentar os cargos públicos eletivos.

                        Numa cidade pequena a interação entre vereadores, deputados e diretores de escola não é rara. Os interesses são compatíveis, reforçam-se; mas quem não ganha mesmo com isso é a população.

                        Nesse casamento de cargos, tanto os obtidos pela escolha popular, quanto os atingidos por “concursos públicos”, a vitaliciedade é bem destacada. A certeza dessa afirmativa nos é dada pelo tempo que algumas pessoas permanecem nessas funções.

                        A mediocridade notória é, em alguns casos, compensada pelos bens materiais exibidos pelo detentor do poder. Assim a pessoa que tem um ou dois carros mais bonitos, pode incrustar-se de tal forma, naquele tecido institucional, que seja quase impossível a assepsia necessária.

                        No tempo do Império o sujeito que pretendesse ocupar um cargo de legislador precisava ter certo capital. A lei assegurava o direito de voto a quem fosse proprietário de extensas áreas rurais ou urbanas.

                        Hoje o abuso do poder econômico, as safadezas e os desvios dos dinheiros públicos, asseguram aos eternos eleitos, as condições materiais para o exercício das agressões.   

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Os murmúrios do Mário Heleno

Diva Cristina sentia-se aborrecida naquela segunda-feira. Seu filho mais velho abandonara a escola alegando que todos o zoavam por ser muito feio e demorar a responder as questões apresentadas, na classe, pela professora.

Seu marido Augusto não obtinha bons resultados na selaria devido ao fato de as pessoas usarem, nos dias atuais, mais automóveis do que cavalos ou charretes.

Diva Cristina sentindo então as dificuldades trazidas pela escassez de trabalho do marido resolveu ela mesma ir à luta, oferecendo-se como faxineira. Ela trabalharia uma vez por semana, recebendo por isso o numerário equivalente ajustado.

A insegurança que a envolvia, por não ter experiência na atividade, seria minimizada pela amizade e o carinho que esperava do seu primeiro cliente: Diva Cristina faxinaria a residência de um parente morador na vizinhança.

O primeiro dia de trabalho, que ela começou logo depois de ter atravessado a rua, que separava as duas casas, consistiu em varrer a sala, espanar os móveis, lavar a louça usada no jantar da noite anterior, lavar a garagem, varrer o quintal e por fim, enxaguar o banheiro tirando dele todos os odores nefastos.

Na semana seguinte Diva retornando, fez os mesmos serviços. Ela não ficava sozinha na casa. Apesar de a dona, sua parenta, funcionária da fazenda oligárquica estadual, onde permanecia ociosa a maior parte do dia, os movimentos na residência eram acompanhados, de perto, por Mário Heleno, um solteirão barrigudo, tabagista inveterado.

As más línguas do bairro garantiam ser Mário Heleno um verdadeiro sapo boi, por ter algumas semelhanças com o animal. A igualdade não cessava só na aparência física. Mário Heleno, sempre de mau humor, destilava-o com freqüência, nas horas e horas em que passava solitário a murmurar, fazendo-o sempre igual ao coaxar dos batráquios.

Numa ocasião quando Diva Cristina já cansada dos sufocos sofridos com Augusto, que não parava mesmo de beber, e por sentir a angústia que lhe dava o excesso de gente desocupada dentro de casa, saiu para trabalhar, indo, porém com o espírito prevenido. Ela pressentia que algo de muito desagradável estava pra acontecer.

Ao transpor o portão e iniciar o percurso, subindo pela escada traçada sobre um gramado mal cuidado, Diva Cristina pôde ouvir os muxoxos do Mário Heleno que se mostrava bastante hostil naquela manhã.

Por muito pouco os dois não se envolveram numa daquelas discussões constrangedoras infindáveis, em que até os vizinhos alheios aos assuntos se sentem mal.

Por saber a Diva Cristina que a vingança é um prato que se come frio, ela esperou toda aquela raiva do Mário Heleno passar e, num gesto catártico pra ela, tomando a escova de dentes do tal gorducho bigodudo, esfregou-a por longos minutos no vaso sanitário.

“A gente ganha pouco, mas se diverte”, pensou ela naquela tarde em que deixou o trabalho tranqüila e bem feliz da vida.