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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

No jogo de estreia Corinthians vence de virada



               O Corinthians fez a sua partida de estreia no campeonato paulista 2012, jogando sábado (21), no Pacaembu contra o Mirassol Futebol Clube.
         Aproximadamente 16 mil torcedores alvinegros viram o primeiro gol do leão da alta araraquarense, marcado pelo atacante Xuxa, aos 28 minutos do primeiro tempo, depois de completar, de cabeça, um lançamento de Wesley da ponta esquerda.
         O Mirassol jogava melhor diante de um Corinthians apático até os 23 minutos do segundo tempo, quando depois de receber o segundo cartão amarelo, Alex Silva (7), do time visitante, foi expulso.
         Com um jogador a mais no campo o Corinthians, reforçando o setor ofensivo com quatro atacantes, criou oportunidades que culminaram com o gol de empate, marcado pelo centroavante Elton (19), aos 30 minutos do segundo tempo.
         Liedson (9) quase amplia para o Corinthians, ao concluir com uma bicicleta, a jogada iniciada por Elton, na ponta esquerda.
         O Corinthians vira o jogo aos 43 minutos do segundo tempo quando Alex (12) recebe na ponta esquerda, o lançamento feito pelo goleiro Julio Cesar (1) e, batendo cruzado, provoca o gol contra, marcado pelo zagueiro Dezinho (4), do Mirassol.
         O time do técnico Tite não jogou bem, tendo apresentado um futebol bem inferior ao que mostrou durante o campeonato brasileiro de 2011.


Mudando de assunto.

Cientistas americanos e grupos ambientalistas estão preocupados de que a demanda global por tartarugas possa ser uma ameaça para algumas espécies nos EUA. O Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) diz que o consumo do animal na China, onde a carne é muito apreciada e ingrediente da medicina tradicional, assim como em estados americanos como a Flórida, pode levar tartarugas à extinção. AFP


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os males da vagabundagem

Hoje tem jogo do Corinthians e quando isso acontece fico muito nervosa. A angústia me arrebata de tal forma que preciso transferi-la pra alguém. Para me acalmar eu usava a estratégia de jogar dentro da garagem, do vizinho cachaceiro, um ou dois folders que sempre deixava guardados.

Hoje não foi diferente, o tormento me assolou. Se você não sabe, digo-lhe que eu já não saia de casa por causa dos meus pés rachados e da minha barriga que engrossa cada vez mais.

Entretanto o doutor Wemaguete, que trata minha pressão altíssima, tendo-me aconselhado a andar pelo menos meia hora todos os dias, assegurou que o problema com os calcanhares rachados eu resolveria facilmente se os pusesse numa bacia com água quente, e depois lixasse a pele grossa. Assim a feiúra dos pés não seria impedimento para as andanças matinais. Numa consulta ele me disse:

- Olha dona Marli: se a senhora não se cuidar a coisa fica bem preta pro seu lado. Veja só essa pança. Do jeito que a coisa está indo, daqui a pouco precisará de algo muito mais substancioso do que remédios homeopáticos.

Então acreditando nisso, fiz ontem à noite o que ele mandou e hoje, logo pela manhã, vesti a camisa branca, a bermuda preta e calcei aquele chinelão velho; chamei meu amigo balofo, vizinho de longa data, que também padece com os males da vagabundagem e, iniciamos a caminhada pelas ruas do bairro.

Quando passamos defronte ao palacete de uma jovem que tinha sido catadora de papelão, pudemos observar o carro importado exuberante – azul pavão - que ali permanecia inerte até que as necessidades da sua dona o mobilizasse. Que luxo!

A moçoila tinha cabelos pretos, tez morena, andava sempre de short e camiseta simples pela redondeza. Meu amigo Baleia Júnior, que a cada cinco passos dava com o dedão numa toceira da calçada, contou-me aos sussurros, que a ex-carroceira vestia-se assim, com tanta simplicidade para não atrair a cobiça dos malandros do quarteirão.

Meu camarada garantiu-me que a jovem fizera-se passar por deficiente mental a fim de comover os pais, também catadores de lixo, de que aquele tipo de serviço não era o ideal pra ela. Segundo o Baleia Júnior a menina babava com tanta intensidade e frequência que convenceu mesmo seus pais de poupá-la das agruras da rua.

A mocinha submeteu-se a tratamentos homeoterápicos a fim de que seus males e aquela perpétua unha encravada retrocedessem e foi isso mesmo o que aconteceu. Logo depois ela conheceu um sujeito metido a desenhista que roubara a herança da mãe e dos irmãos. Eles se juntaram e essa era a explicação da existência do reluzente automóvel caríssimo ali naquela garagem.

Então quando cheguei em casa, durante a despedida do Baleia Júnior, algum maroto passou com uma velha perua DKW e depois de um assovio estridente esgoelou:

- Que roubada hein dona Marli? Viu só no rolo que a senhora se meteu?

Eu não poderia explicar o que significava aquilo. Talvez fosse fofoca da vizinhança. Mas o melhor mesmo era deixar isso pra lá. Hoje tem jogo do Corinthians.