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quarta-feira, 15 de junho de 2011

A Voz do Povo




                               A população de Campinas, por meio dos seus vereadores, decidirá hoje, a partir das 18h, na Câmara Municipal, se o prefeito Hélio de Oliveira Santos deve ou não se afastar do cargo, durante os processos de impeachment e judiciais, que apuram as responsabilidades por fraudes, praticadas na sua administração.

                    Se a escolha for pelo afastamento, o chefe do executivo permanecerá distante do centro das decisões por 90 dias.

                    Há os que acreditam que o prefeito deveria ser o primeiro a exigir as investigações rigorosas e as punições devidas.

                     A base dessa confiança estaria na certeza do seu não envolvimento com os prejuízos bilionários que afetaram a população campineira.

                    A assertiva de que “quem não deve, não teme”, possibilitaria ao governante, a segurança para distanciar-se, esperando que provem ou não o que dizem contra ele.

                    Em ocorrendo a improcedência de todas as demandas, o prefeito voltaria com força redobrada sobre os adversários.

                    Entretanto, se com base nas provas tanto testemunhais quanto documentais, colhidas pela polícia e Ministério Público, a acusação não desistir nunca e permanecer pedindo a aplicação da lei, então Arthur Orsi, o atual presidente do legislativo, ocupará a vaga do prefeito.
 
                    Isso é o que deseja milhares de eleitores de Campinas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Relógio

Rapaz! Levei um cacete da minha mãe numa ocasião, que vou te falar: não foi brinquedo não.

Aconteceu assim: estávamos os seis irmãos (quatro meninos e duas meninas) dentro de casa; lá fora uma tarde comum, sem chuva ou muito sol. Não posso precisar a data, mas creio que eu ainda freqüentava o curso ginasial, portanto seriam meados dos anos sessenta.

Minha mãe estava na cozinha lavando a louça e nós brincávamos na sala. Os divertimentos se limitavam a provocações nas quais nem sempre os mais novos saiam-se bem. Na calçada, defronte ao portão do escritório da fábrica de botes Adâmoli, havia homens conversando, como era comum acontecer.

Num certo momento acertei o cocuruto do Júnior com um tapa mal calculado e o moleque desandou a berrar como se tivesse levado um soco no queixo. O estardalhaço que o guri apresentou fez com que os demais estancassem atônitos.

O chorão gritava de tal jeito que minha mãe veio correndo da cozinha, enxugando as mãos no avental que trazia na cintura. Como não são tão importantes os fatos, mas sim a versão que se dá a eles, Júnior aos prantos, contou que eu o tinha agredido com um pancadão na cabeça.

Meu amigo, nem queira saber o que se passou depois. Tomada por um piti descomunal dona Daisy avançou sobre mim batendo-me com tanta violência que quase perdi os sentidos.

Tomada pela ira, ela gritava e me espancava com um tamanco. Sem ter outra forma de me defender eu usava os braços e as mãos com os quais cobria a cabeça e o rosto. Cai num canto, perto da porta de entrada, sob um quadro de distribuição de energia elétrica, que nós conhecíamos como “relógio de força”.

Ali, meu amigo, naquele cantinho, recebendo as violentas bordoadas nas mãos, nos braços, na cabeça, no rosto e nas pernas, os segundos não foram muito confortáveis, não.

Enquanto o couro comia a galera toda se reuniu no quarto usado por meus pais. Lá confidenciavam regozijando ou temendo que a tempestade os atingisse também.

Passado o furacão, talvez na semana seguinte, em memória do ocorrido puseram naquele canto, perto da porta da rua, um vaso cônico branco de cimento, onde estavam plantados pés de espadas de São Jorge e comigo-ninguém-pode.

Naquele tempo a educação era diferente.