“Eu precisava mesmo ver você de perto, sentir o seu perfume o seu hálito, o calor da tua pele, tocar os seus cabelos. Mas você sabe como é... a turma queria fazer antes o serviço lá no campus da escola, e eu não pude falar não. Eles já tinham tudo preparado. Bastava só uma banana e os limites estariam estilhaçados. Nos reunimos naquela noite anterior ao dia do pagamento dos professores e funcionários. A gente tinha de chegar ao caixa eletrônico no máximo até um dia após o depósito dos salários. No boteco, a gente não falava muito sobre o assunto. Já estava todo mundo inteirado. A gente ia chegar e mandar ver, sem dó. Eu tinha comigo um fuzil e uma P 40; os manos portavam uma metralhadora cada um. O carro que “fizemos” dois dias antes, já estava com placas frias. O tanque cheio; a gente só esperava o tempo passar. Naquela agonia da espera eu só pensava em você. Eu me lembrava da tarde em que você, ao chutar uma bola, lançou também o sapato que acertou o nosso cachorro. O coitado, assustado, quase caiu na piscina. Num domingo à tarde, você estava maravilhosa de roupão branco, testando vestidos para ir ao teatro à noite ver aquela peça. Eu nunca gostei desse negócio de teatro, mas você gostava... Os teus olhos verdes me fascinam. Fico doidinho. Me faz lembrar do mar, da água salgada, do sol, da cerveja, do bate papo divertido. Enfim... Saimos do mocó no momento certo. Só um detalhe me chamou a atenção: foi quando ao virarmos a esquina, daquela rua que leva à entrada do campus, notei um pote assim, deixado na sarjeta. Achei esquisito, estranho, mas os manos não se ligaram na parada. Fomos em frente. Chegamos ao caixa e detonamos o ambiente. Foi tudo meio rápido. O lugar ficou bem quente e empoeirado. Lembro que os tiras chegaram de surpresa. Era só bala que voava pra todo lado. Foi triste, muito triste. Quando você vem me visitar?”
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terça-feira, 7 de junho de 2011
O Pote
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terça-feira, 11 de maio de 2010
O Poder Castrador
O coronelismo no interior do Estado de São Paulo ainda é muito evidente. Ele se manifesta de forma indireta, ao contrário dos regimes ditatoriais tais como os de Cuba ou da China, por exemplo.
Nesses países autoritários a proibição da manifestação do pensamento é frontal, direta, dolorosa. Nos rincões do Brasil esse mesmo poder castrador age de forma subreptícia, disfarçada. Quando apontada, geralmente esquivam-se os responsáveis pela opressão, atribuindo à vítima danos mentais, passíveis de tratamento. Nas clínicas dos corruptos detentores eternos do poder é claro.
As eleições estão quase às nossas portas e os homens desacostumados com as palavras contrariadoras das suas ideologias, não conseguindo falar no mesmo tom e frequência, usam dos meios escusos para calá-las.
Então você pode notar a deterioração dos blogs guerreiros que não se submetem às loucuras de quem acha estar sempre certo. Essa gente no poder aqui, nesta cidade, é uma vergonha para a democracia.
São corruptores. Não conseguem agir de outra forma sem arranhar a própria auto-estima. São bandidos. Revestem-se da pompa dos cargos públicos eletivos, arregimentam ares de importância e notoriedade com os quais se afastam das necessidades da população.
É gente danosa. Todos os que contrariam os seus interesses não têm muita sorte na vida. Eles não deixam. A quem não os obedece não caberia outra coisa a mais do que a desaprovação popular. Controlando os meios de comunicação social eles formam a opinião pública e quem não professa a mesma cartilha é submetido às vaias da torcida.
Essa gente ainda no poder, aqui neste rincão, não deixa de ser o produto restante da mentalidade formada por duas dezenas de anos do militarismo. Das campanhas obsessivas objetivando castrar cães derivam facilmente as ações obscurecedoras das vozes contrárias.
Com muita delicadeza, buscam induzir os adversários ao erro, quando então podem exercer sobre ele toda a violência opressora. É um crime o que fazem às ocultas, nas trevas, nos conchavos demoníacos.
E assim garantem os espertos a própria boa sorte e fortuna enquanto que mantém lá embaixo, na miséria, todos aqueles que tiveram um pouco de coragem pra dizer que com eles não concordariam, de forma nenhuma.
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